A REGIÃO DE GUANAMBI, OS VELHOS ROTEIROS COLONIAIS, A INFLUÊNCIA DA CULTURA DO ALGODÃO EM SEU DESENVOLVIMENTO E AS CRISES DA FALTA DE AGUA

Trago, um trecho do caderno “Aqueles Sertões”, do saudoso professor e deputado Vilobaldo Neves Freitas, cuja uma das cópias foi cedida, gentilmente, e confiada a mim, pelos seus familiares, para viabilizar publicação na íntegra, com patrocínio das prefeituras de Guanambi e de Caetité, da Assembleia Legislativa da Bahia, e, de empresas que atuam na área de energia solar e aeólica, em Guanambi e região.

Queremos chamar a atenção que esse caderno “Aqueles sertões” foi escrito pelo professor Vilobaldo Freitas após sua aposentadoria e concluído na década de 80. Os leitores vão deparar, no texto, que, quando ele utiliza as palavras “século anterior”, ele faz referência ao século dezenove e, que a grafia utilizada, para algumas palavras no texto, dos roteiros abaixo, conserva a originalidade da época.

O professor Vilobaldo Freitas (1984, p. 50-60) inicia o texto, descrevendo que:

Guanambi, a mais próspera cidade do alto sertão baiano, dinâmico centro do comércio do algodão e de intensa atividade pecuária, tem de suas adjacências, fixadas em velhos registros, informações que nos permitem uma imagem setecentista da região, de modo a fazer realçada a prosperidade dos seus dias presentes, numa sequência histórica de fatos que a conduziram à situação privilegiada de pólo econômico regional.

Das grandes estradas do passado colonial o itinerário Bahia – Vila Boa (Goiás), por atravessar a planície sanfranciscana, o “baixio” da denominação local, nas imediações da atual cidade de Guanambi, é a que nos permite mais detalhada imagem setecentista desses sertões.

Atentemos para um trecho desse itinerário.

Das Carnaíbas grandes, ao pé da serra a 5 léguas e meia e vem a ser, 1 e meia a um córrego chamado das Rãs; é este corrente e aqui finaliza a abundância de pasto no lugar chamado Poções, onde não havia moradores no tempo em que se fez este itinerário, e havia boa água no mencionado córrego, quatro léguas ao pé da serra.

Do predito sitio ao chamado Pau de Espinho, distam 5 léguas e ¼. É esta marcha terrível pela esterilidade , não se vê por ele cousa verde; todos os campos são atoleiros; junto ao sitio que os comboeiros dão de beber aos animais e sempre procuram pasto diante, tendo cuidado em levar água para beber; e aqui parece que o ar sufoca, são pois como 1 e um quarto e uma fazenda, chamada Águas Verde, e 4 léguas ao pau de Espinho. Não há por ela pastos e a água é empoçada num córrego que não corre”.

O que lemos é mais do que um mero itinerário. É um guia de viagem destinado aos que perlustrassem naqueles idos, as extensões quase desertas dos baixios marginais aos rios Carnaíbas e das Rãs.

As referências à “marcha terrível pela esterilidade não se vê por ela cousa verde” e ao “ar sufocante”, fazem crer que o autor do itinerário atravessou a região no verão sertanejo.

A expressão “comboieiros” é indicativa de que já naquele recuado período um tráfego comercial de relativa significação se fazia pelas imediações de Guanambi. Demandaria esse tráfego sem dúvida à zona Ribeirinha do São Francisco, caminho aberto às comunicações com os garimpos de Minas Gerais.

É de observar-se que o professor Luiz Vilhena compulsou o itinerário ora comentado, pelas alturas do ano de 1778, e que, mesmo antes deste milésimo a região era já conhecida, como se constata pela presença em Monte Alto, do Alferes Francisco Pereira de Barro e em Carinhanha de Manuel Nunes Viana, o chefe emboaba e homem de vastíssimos negócios já na primeira década setecentista.

Joaquim Quaresma Delgado, no precioso roteiro que traçou de ordem oficial, aproximadamente em 1730, deixa-nos também valiosa informação sobre o trato do solo sertanejo, ora objeto destas cogitações.

O ilustre roteirista atingiu as terras dos hoje municípios de Caetité e Guanambi, vindo da região do Paramirim e rumando ao norte de Minas Gerais, através de Licínio de Almeida e Jacaraci. A partir da fazenda Hospício, próxima a caetité, fez ele incursão ao território hoje integrante de Guanambi.

Vejamos o próprio texto do aludido roteiro. (Urbino Viana, Bandeira e Sertanistas, p.132)

Do Hospício ao Brejo das Carnahybas do Me. de Campo Pedro Leolino Mariz, aonde há roçaria e engenho de cana, há de estradas duas léguas e ½ e de distância duas; hua légua de bom camo, e passa-se o Rio das Rãs, a outra lagoa e ½, camo. de ladeyras, e a última a descer para o rio, que se torna a passar hé bem alta mais de terra vai ao rio aqui entre dous cordões de serra como se vê”.

Daqui do Brejo d° virey para traz a buscar outra a fazda. do hospício, e della segui o caminho que vay sair na estrada da Bahia meia légua para a parte norte das Barrocas, caminho em parte fragoso. Não há agoa do dito camo.”.

Relembre-se que o coronel Pedro Leolino Mariz, proprietário da fazenda Brejo das Carnahybas (neste século de propriedade da família de Policarpo Ribeiro) é o mesmo destacado sertanista que esteve em Monte Alto quando da exploração do salitre, em 1757.

Na linguagem do roteiro vale destacada a expressão “aonde há roçaria e engenho de cana”. Engenho de cana e roçaria são indícios de população e renda econômica. Sem dúvida outras propriedades rurais existiriam também na área.

Assim, bem se vê que a ocupação do solo já se fazia naqueles longínquos anos, pelos núcleos demográficos em que se constituíam as fazendas, e que “os comboeiros” que transitavam pela vastidão do baixio, calcavam sendas que se tornariam nos caminhos comerciais que se entrecruzavam, na moderna Guanambi.

A vocação comercial e o impulso para o progresso que caracterizam o dinamismo social de Guanambi, já podiam ser pressentidos no incipiente comércio e nas trilhas que se desdobravam pelas solidões dos baixios setecentistas.

Após os roteiros que marcaram seus rumos por esses sertões dos primeiros anos, uma estrada de caráter precursor foi mandada abrir pela Coroa Portuguesa. As informações sobre esta estrada também lançam certa luz sobre a significação econômica de regiões muito próximas à Guanambi de hoje, reconhecido pólo de produção algodoeira e fazem pensar tenha sido a mesma, uma antecipação ou previsão da riqueza que se instalaria de futuro nesses paramos.

UMA ESTRADA PRECURSORA.

Governando D. Fernando José de Portugal, determinou este esclarecido administrador, em observância á Carta Régia, de 12 de julho de 1799, que se abrisse uma estrada entre Camamú e Palmas de Monte Alto. Esta estrada foi concluída em Maio de 1804, pelo Dr. José de Sá Bittencourt Acioly.

Construiu-se desse modo, um grande segmento precursor da BR 030 de nossos dias, a Maraú – Brasília, a estrada do algodão, assim chamada no trecho em que atravessa as cercanias de Guanambi, pela qual se escoa a abundante produção agrícola da mesma região que o roteirista do itinerário Bahia/Vila Boa (Goiás) conheceu, num verão áspero e sufocante dos anos setenta, quase desértica e abrigando apenas um punhado de pioneiros.

Note-se que muitos dos trechos da estrada que tinha seu ponto inicial em camamú, deveriam repetir o traçado da que em 1760, deu escoamento a produção salitreira de Monte Alto, da qual se tratará noutro capítulo destas despretensiosas considerações.

A cidade de Guanambi, o grande entreposto comercial em larga extensão interiorana, próspera e ativa, tendo surgido nas proximidades do velho itinerário colonial para tornar-se a capital sertaneja do algodão, oferece-nos um admirável flagrante da riqueza regional nos dias presentes, como também, se a vemos contra o pano de fundo que era a paisagem atravessada pelos comboieiros dos anos setecentos, torna evidente a prosperidade que os planejadores dos roteiros e estradas da época da penetração, parecem ter pressentido para os baixios guanambienses.

A ECONOMIA ALGODOEIRA

Já não são o ouro, a prata e o salitre os propulsores dos movimentos que fazem expandir a economia desses sertões. No rastro daqueles que procurando tais elementos, praticaram o sertanismo que devassou os recessos da terra baiana, a gerações posteriores tem sabido, mercê de uma agricultura moderna e racional, criar riqueza maior e mais duradoura.

A cultura algodoeira aparece em destacado lugar na estatística regional do crescimento econômico e tem em Guanambi os seus mais elevados índices. Onde outrora o itinerário rio Bahia/Vila Boa cruzava imenso vazio, hoje infindáveis e ricos algodoais estabelecem contraste com a paisagem natural setecentista.

CRONOLOGIA DO ALGODÃO

A lavoura algodoeira, vinculada a evolução da economia nesses sertões desde a manhã de sua conquista, desponta também muito cedo como uma das bases da economia nacional.

Teodoro Sampaio em sua História da Fundação da cidade do Salvador relaciona o algodão entre os artigos que eram objeto de comércio na Ponta do Padrão, onde estava localizado o povoado de Diogo Alvares, o Caramuru, sob a seguinte expressão:

Artigos como o algodão, a pimenta a cera, as resinas e sobretudo as peles dos felinos e de outros animais silvestres”. (O grifo é nosso). Como se vê o naufrágo de 1510 se fez comerciante de algodão;Há neste fato uma longínqua afirmação da cotonicultura como esteio de uma economia que dura tanto quanto nossa pátria e que tem em Guanambi uma elevada expressão.

Na ultima década do século passado, por influência de esclarecidos empresários baianos, a cotonicultura e a indústria a ela relacionada, tiveram fase de excepcional florescimento.

O ESPÍRITO EMPRESARIAL BAIANO E O ALTO SERTÃO

O surto desenvolvimentista surgido em Salvador na última década dos anos oitocentos, do qual resultou a ampliação do parque fabril baiano, estaria destinado a repercutir no alto sertão, sobretudo na região de Guanambi.

Coincidindo com esse florescimento industrial de iniciativa privada, a atuação do governo estadual no período, também contribuiu para que aos longínquos sertões chegassem os reflexos de atuação do Centro Industrial do Algodão.

O Governo do Conselheiro Luiz Viana, de 1894 a 1898, conforme se pode constatar pelas suas leis orçamentárias, dispensou especial atenção e abertura de estradas até mesmo de ferrovias, e à construção de aguadas, de variado porte, por toda a região sertaneja.

Alguns pequenos açudes construídos nessa época e ainda hoje existentes atestam o acerto da política governamental do conselheiro.

Em Guanambi, então pequeno povoado denominado Beija Flor, nome mais tarde mudado sucessivamente para Bela Flor e Guanambi, como principal reservatório de água potável existia apenas uma minúscula lagoa, cuja tapagem por ação do governo estadual foi elevada, de modo a ampliar-lhe a capacidade.

Guardou tradição oral a informação de que nessa obra de ampliação foi gasto pelo Governo Estadual em conto de réis (1.000$000).

Ampliada a capacidade da pequena aguada, foi possível instalar à sua margem uma usina de beneficiamento de algodão, cujos reflexos sobre a economia sertaneja foi tal que se pode afirmar, o conto de réis do erário público se multiplicou na imensa riqueza dos algodoais que cresceram por todo o baixio guanambiense.

A instalação dessa usina, realmente um marco na história do algodão sertanejo se deve a um homem de invulgar personalidade: Mário Spinola Teixeira.

Estudante de agronomia em São Bento da Lages, onde se diplomou em 1898, Mário Spinola Teixeira há de ter sentido a influência do espírito empresarial que na época determinou o surgimento na Bahia de fábricas têxteis que foram o orgulho de sua indústria e, um pouco mais tarde, em 1916, inspirou a instalação do Centro Industrial do Algodão.

Temperamento enérgico e vibrátil, descortina comercial e audácia de empresário, tais foram as qualidades com o Dr. Mario Teixeira, após sua diplomação se lançou no mundo dos negócios.

Certo é que em 1912, aproveitando-se da ampliação da lagoa do velho Beija Flor, efetuada pelo Governo do Estado, e percebendo as possibilidades oferecidas pelo comércio do algodão, implanta à beira dessa pequena aguada, a usina pioneira que o liga definitivamente ao surto sertanejo de desenvolvimento da lavoura algodoeira, surto ainda em curso, a encher de prosperidade vasta região.

A instalação dessa usina abre uma perspectiva nova à lavoura algodoeira. O exemplo em que se tornou a atuação do seu fundador, cujos passos no presente são repetidos por muitos empresários competentes e esclarecidos, frutificou em dezenas de estabelecimentos fabris e em vastíssimos algodoais.

O quadro descrito por Sá Bittencourt em que “os habitantes do lugar fazem muito mal a cultura do algodão”, teve um desmentido histórico. Hoje pelos caminhos setecentistas dos “comboeiros” referidos no trabalho de Luiz Vilhena, circula uma riqueza enorme se considerada face aos velhos índices detectados por Von Martius e Teodoro Sampaio.

Nota-se que o historiador Vilobaldo Freitas, ao descrever sobre a história de Guanambi e região demonstra grandes conhecimentos culturais, histórico e econômico da região. Quando, em sua narração dos antigos roteiros, já prevendo a importância da localização das terras que, posteriormente, iria ser denominada de Beija-flor, e hoje, a nossa tão progressista Guanambi norteia-se em sua localização privilegiada e, na influência da cultura do algodão para o seu desenvolvimento.

O apogeu e o declínio da lavoura do algodão e da água de Guanambi e região

Complementando a narrativa sobre o crescimento de Guanambi, nos remotos anos de 1916, na época, ainda, Beija-flor, foi um dos precursores para o desenvolvimento de Guanambi a cultura do algodão e a sua privilegiada localização. Não poderia deixar de aproveitar essa oportunidade para fazer um tributo em homenagem a um grande empreendedor empresarial Dr. Mário Spínola Teixeira, engenheiro e comerciante. Que, em 1916 instalou o Centro Industrial de Algodão, em Guanambi, criando uma firma denominada Empresa, localizada onde hoje situa o bairro Brindes.

Não podemos, também, deixar de citar o governo do conselheiro Luiz Viana, do período de 1894-1898, que destinou recursos para a ampliação de uma minúscula lagoa, conhecida como “pote”, transformando-a em um grande reservatório de água. Naquela época, fator predominante para o crescimento de Beija-flor, hoje Guanambi.

Segundo os grandes historiadores, o principal fator para o desenvolvimento de um povoado, posteriormente uma cidade, era ter ou está próximo a um grande reservatório de água. Essa constituição sempre veio acontecendo no decorrer da história da humanidade. Guanambi não deixou de ser diferente, com a ampliação de uma minúscula lagoa, no governo do conselheiro Luiz Viana. Posteriormente, quando a lagoa não mais era a solução para o abastecimento de água para a nossa cidade, período que passamos por uma grave crise de falta d’água em nossa cidade, o então deputado federal Manoel Novaes, destinou recursos, através de emenda parlamentar para a construção da barragem de Ceraima. Essa barragem foi inaugurada em 1966, com a presença do então ministro do interior, Juarez Távora, no governo do presidente Castelo Branco. Novamente, a partir do ano de 2010, voltamos a sofrer outra grande crise de água, que foi solucionada graças a construção da adutora do São Francisco, que abastece Guanambi e região. Essa adutora foi iniciada no governo do segundo mandato do presidente Lula, e, inaugurada pela presidente Dilma, em 2012, que nos honrou como o primeiro presidente a visitar o município de Guanambi.

Uma das fontes precursoras do desenvolvimento de Guanambi sempre foi o algodão, que retoma com força total na metade da década de 70, e, chega ao seu declínio no início da década de 90. Nesse período, em torno da década de 80 chagamos a ser o segundo produtor de algodão no Brasil. Nas terras de Guanambi e do Vale do Iuiu, com a grande produção de algodão foram implantadas dezenas de usinas de beneficiamento de algodão, gerando milhares de empregos, e atraindo milhares de trabalhadores de outras cidades da Bahia, e, até de outros estados para as atividades culturais da lavoura do algodão e do seu beneficiamento.

Como sempre, Guanambi privilegiado pela sua localização geográfica se fortalecia como metrópole regional com seu comércio forte, agências bancárias e centralização da maioria das usinas de beneficiamento de algodão. O seu progresso era citado em matéria jornalística na Bahia e no Brasil. O então deputado e líder do governo, na câmara dos deputados, Prisco Viana na gestão do seu fraternal amigo, o prefeito José Neves Teixeira (Sr. Binha) viabilizou recursos e abertura das agências do Banco do Brasil para Guanambi e região. E, também, direcionou recursos para a agência do Banco do Nordeste, através do programa sertanejo, o que deu sustentabilidade financeira para esse grande desenvolvimento. O governo federal proporcionou até um projeto chamado AGEF, que garantia a compra e o preço mínimo do algodão. Guanambi e região não ouviam falar da palavra crise, só de crescimento. Época áurea do município e das demais cidades da região.

No período de 1989 a 1990 chegamos ao clímax do poder político. Momento em que um dos filhos de Guanambi, o Sr. Nilo Augusto de Moraes Coelho alcança o mais alto cargo do Estado, governador do estado da Bahia. Período em que destinou para Guanambi e região recursos estaduais para diversas obras, principalmente em investimento na pavimentação de estradas, redes de energia, estação de tratamento de água, pela Embasa, em Ceraima, a construção do Departamento de Educação, Campus XII – UNEB, a obra física do Hospital Regional de Guanambi e a instalação de sede de vários órgãos estaduais do nosso município.

Período, também, em que um dos nossos deputados federais, mais atuante e brilhante político, o então Deputado Federal Luiz Humberto Prisco Viana, que representou Guanambi, na Câmara de Deputados, assume o Ministério da Habitação, Meio Ambiente e Bem-Estar Social, do então Presidente José Sarney. Também destinou grandes recursos para saneamento básico, habitação para a cidade de Guanambi e região, e, para o centro de abastecimento de nossa cidade, a chamada “feira do mercado”. Chegando, naquela época, ao ponto máximo do poder político e econômico de toda a história de Guanambi.

No governo do presidente Collor, década de noventa, com a abertura da economia e do mercado, o algodão produzido em outros países, principalmente nos Estados Unidos começou a chegar ao Brasil com preços mais baratos. E, nesse período, também, a praga do Bicudo, que atinge fulminantemente a lavoura de algodão. Caindo assim, a produção e os preços, chegando ao declínio da lavoura de algodão em Guanambi e região. Passando, assim, Guanambi e região há anos de dificuldades na economia e na política Estadual, agravado com o confronto do ex-governador com o então governador daquela época, dificultando repasse de recursos estadual para investimento em nosso município.

Como na mitologia grega com a história do pássaro fênix, tivemos forças para ressurgir das cinzas, pois somos um povo empreendedor e criativo. Começamos a redirecionar as nossas atividades econômicas para a pecuária, que passa a substituir a lavoura do algodão na região. Em Guanambi, com o aprimoramento de atividades em prestações de serviços, em áreas diversas, e no comércio, voltamos, novamente, a crescer. A saúde e a educação começam a assumir destaque em nossa economia.

No Campus da UNEB de nosso município são criados novos cursos; um grupo de empresários de Guanambi funda a Faculdade de Guanambi – FG; os cursos a distância, a exemplo da UNOPAR, começam a funcionar em nossa cidade; A Escola Federal, a Agrotécnica, criada graça a intervenção do então deputado Prisco Viana, no governo do presidente José Sarney, que já vinha funcionando com vários cursos médio-técnico, no segundo mandato do Presidente Lula, passa a ser Instituto Federal da Bahia com implantação de cursos superiores, na área de agricultura, agronegócios e informação. Cumprindo-se, dessa forma, a sua concepção desde a sua criação, que era ser um Instituto Federal com cursos superiores.

O município de Guanambi, por suas ações na área de saúde, na gestão do Prefeito Charles Fernandes e do secretário de Saúde Manoel Paulo, foi uma das 36 cidades selecionadas no Brasil, dentro do “Programa Mais Médicos” do governo federal, para implantação do curso de medicina em nossa cidade, com previsão para início do período letivo para o ano de 2017.

Agora podemos complementar o que escreveu o saudoso professor Vilobaldo Freitas, “não é mais o ouro, a prata, o salitre ou a lavoura do algodão que propulsiona o desenvolvimento da região, são os ventos que geram a energia eólica e o sol que vai gerar a energia solar”.

Os velhos roteiros coloniais, citados no caderno “Aqueles sertões”, do Professor Vilobaldo Freitas, os mesmos percursos percorridos no passado por nossos desbravadores sertanistas, bandeirantes e funcionários da coroa portuguesa foram substituídos pelas BRs 030 e 122, e, dentro de poucos anos pela ferrovia de Integração Leste Oeste – FIOL.

Lembrando, também, o que escreveu o meu saudoso avô, o escritor e historiador Domingos Antônio Teixeira, em Respingos Históricos “não é só mais em torno de um umbuzeiro, próximo de uma lagoa, onde os bruaqueiros sabiamente reuniam nas segundas feiras, para vender suas mercadorias por um bom preço e nada enfuzava”. Isso queria demonstrar que tudo era comercializado, naquela pequena feira que acontecia em torno daquela praça, hoje conhecida como Praça Coronel Cajaíba. Fato que deu origem a uma das principais feiras regionais da Bahia e de Brasil, que foi um dos principais fatores primordial do crescimento de Beija-Flor, hoje Guanambi. Tornando-se Guanambi uma metrópole, que centraliza um grande comércio e prestação de serviço, onde atende habitantes de mais de 40 municípios da Bahia e parte do norte de Minas Gerais.

Devemos reconhecer as contribuições das personalidades políticas, de cidadãos da iniciativa privada e de pessoas de origem humilde e trabalhadora, que viveram no anonimato, e, que, em conjunto, formaram a história política e econômica da nossa estimada e progressiva Guanambi.

Nossas sinceras homenagens a Guanambi e ao seu aniversário de 96 anos.

vilobaldo

Tributos ao professor e deputado Vilobaldo Neves Freitas

O Professor Vilobaldo Neves Freitas, nasceu em Caetité, em 11 de novembro de 1915. Filho de Troiano Freitas e Maria Regina de Freitas. Formou-se em Magistério, na Escola Normal de Caetité, em 1932. Mudou-se para Guanambi com sua família, onde começou sua carreira de Professor Primário. Casou-se com Dona Zenilda Borges de Freitas, filha do médico, agropecuarista e grande líder político de Guanambi, o José Bastos (Dr. Juca). Os filhos de Vilobaldo e de dona Zenilda são Fábio, Maria Regina, Hermínia e Silvana.

As atividades profissionais exercidas por Vilobaldo Freitas foram de professor, Inspetor e Técnico da Secretaria de Educação da Bahia, e, Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

Mandatos Eletivos de Vilobaldo: vereador de Guanambi pelo PSD – 1946 a 1950. Deputado Estadual por cinco mandatos consecutivos, de 1967 a l985, pelos partidos ARENA E PDS. As atividades parlamentares durante os cinco mandatos foram: participou de diversas comissões, com grande contribuição para os trabalhos importantes das comissões de Constituição de Justiça, de Educação e Serviços Públicos. Atividades Partidárias na Assembleia: vice-líder da maioria da Assembleia Legislativa – AL-BA, e, vice-presidente do Diretório do partido ARENA.

Durante os cinco mandatos Vilobaldo teve atuações importantes na Assembléia Legislativa da Bahia, sempre voltadas para a defesa dos interesses de Guanambi e região.

Ações e Contribuições de Vilobaldo para que criassem em Guanambi, na gestão dos prefeitos aliados Jonas Rodrigues da Silva e Dr. José Humberto Nunes, foram o Banco do Estado da Bahia; o Serviço de Abastecimento de Água, através da empresa Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE; a implantação da energia elétrica, através da COELBA, vindo da hidrelétrica de Correntina; a criação do Colégio Estadual Luis Viana Filho; a criação do Hospital Santo Antônio, e, o Fórum de Justiça de Guanambi.

Devemos lembrar aos leitores que naquela época poucas cidades da Bahia contavam com um Colégio Estadual, hospital, serviços de abastecimento água, e energia elétrica. Estas ações contribuíram e estruturou Guanambi para o grande crescimento da cidade, a partir da metade da década de 70 e início da década de 80.

Texto elaborado por José Bonifácio Teixeira, com a contribuição de Maria Soares Teixeira.

Fonte de pesquisa: Caderno ainda inédito “Aqueles Sertões” do Professor Vilobaldo Neves Freitas.

Respingos históricos, do escritor Domingos Antônio Teixeira “Teixeirinha”.

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