HOMENAGEM DA PREFEITURA MUNICIPAL DE GUANAMBI PELO ANIVERSÁRIO DE 96 ANOS

SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, ESPORTE E LAZER

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Na margem direita da Carnaíba de Dentro, na sua confluência do Gado Bravo ou Rio do Belém, em terreno vermelho, ali separado da “vazante” por um lajedinho com um “caldeirão” ao centro, uma mulher construiu a casa de taipa em que morava. Esta mulher era uma devota de Santo Antônio e em sua casa, todos os anos, rezava ladainha e benditos no dia 13 de junho em louvor ao milagroso Santo Antônio, que ali se reuniam os moradores da vizinhança.

Não tardou para que a ladainha do dia 13 de junho fosse antecedida das trezenas, com a participação dos respectivos administradores de festas religiosas, e transformada em animado festejo durante aqueles dias. Não faltando, no período, o botequim de cachaça, a viola, o pandeiro e, para complemento, a disposição da assistência e a boa acolhida da dona da casa – a promotora da festa.

Logo, a permanência ali do botequim de bebidas ensejou a reunião dos vizinhos também aos domingos e dias santos, não tardando para que surgissem ali outras casas de taipa, ao lado da “casa de orações”. Foi assim que, já ao terminar a quarta parte do século XIX, existia o arraial de Beija-Flor que, segundo diziam os contemporâneos, dentre eles o Cel. Francisco Vasconcelos – venerando ancião Chiquinho do Cubículo – fora formado por mulheres de vida livre, vindas das vilas e lugares mais próximos. Em apoio a esse julgamento dos contemporâneos vem o apelido “QUEBRA”, então dado pelo vulgo ao famoso arraial.

O rapaz ou homem dado á farra, que ia para Beija-Flor, em poucos dias de permanência ali, se achava arruinado financeiramente, estava “quebrado”: ali era o “QUEBRA”. Se o incauto, encabulado, retornava ao sítio ou ao lugar de procedência, a razão do seu fracasso (farra e jogo) em Beija – Flor estava e permanecia fascinante e atraente como ímã, para o castigo de outro pouco prevenido. Nem todos, porém, se arruinavam em Beija-Flor, muitos ali encontraram a prosperidade.

Quanto á razão porque o arraial nasceu com o nome de Beija-Flor diremos em ligeiras palavras o que sabemos pela tradição, reservando-nos, todavia, o direito de, ao final delas, deixar expressa a nossa opinião a respeito.

Conforme afirmavam os contemporâneos, aquela devota de Santo Antônio, que construiu a primeira casa e nela viveu no local em que teve início a povoação que hoje é a cidade de Guanambi, cujo verdadeiro nome ficou desconhecido, era chamada pelo apelido “Bela” e tinha uma filha, a quem chamava “Flor”. Podia a mãe chamar-se Belarmina e a filha Florinda, mas a tradição não nos permite à afirmativa.

Abrimos aqui um parêntese para uma rápida observação: – Conforme o costume antigo adotado em todo sertão, certa pessoa era mais conhecida pelo apelido do que mesmo pelo próprio nome. Isto, devia-se, principalmente, ao emprego do nome dos ascendentes ou membros da família: José, Manoel, João, para os homens, e Maria e Ana, para asmulheres.Também, o sobrenome Maria de Jesus era fartamente empregado para as mulheres, quando não descendentes de famílias tradicionais. Uso que ainda hoje vemos.

Naqueles tempos, ainda na quarta parte do século XIX, na casa de taipa de Bela, no dia de ladainha de santo Antônio, o folguedo – tocata e dança – somente começava depois da cerimônia que marcava o fim da hora de contrição, quando, um após outro, todos os presentes beijavam o Santo. Mas, a primeira pessoa a imprimir o seu beijo era flor, a simpática filha da dona da casa. Ora, muitos dos presentes lá tinham ido mais pelo folguedo do que por devoção. E, por isso, desejavam o imediato término da reza e insistentemente suplicavam a Flor que logo beijasse o santo, dizendo, numa profusão de vozes dos interessados: ”Beija Flor! Beija Flor”! Tal era a importância da súplica para muitos dos foliões que, como recordação da cena, deram-na ao lugar onde ela ocorria o nome de Beija-Flor.

Segundo ainda a tradição, quando, em 1880, foi criado o distrito de paz ou o distrito policial, o arraial recebeu a denominação de Bela-Flor, em homenagem a Bela e Flor, mãe e filha, suas fundadoras.

A nosso ver, entretanto, a origem do nome Beija-Flor, dado ao arraial, veio da minúscula ave, da espécie do colibri, que vive do pólen das flores. Razão pela qual sempre é vista adejando de flor em flor, em torno da planta florida no campo e no jardim. O terreno sempre úmido da “vazante” contígua ao local do arraial permitia a contínua existência de flores silvestres e, em consequência, a presença ali do Beija-Flor – o Guanambi dos índios.

Quando foi criado o município, a sede, o antigo arraial de Beija-Flor, que então era Bela – Flor, recebeu o topônimo indígena “Guanambi” (Beija-Flor) e não “Guainambi” (Bela-Flor). Ora, cremos que não havendo o “i” intermediário e no topônimo, temos que admitir que à pequenina e interessante ave se deve  o nome dado ao arraial que, mais tarde, foi e é a cidade do Guanambi, cujo oxigênio respiramos. Este é o nosso pensamento e com este argumento o defenderemos até que sejamos convencidos do contrario, à luz de documentos ou provas irrefutáveis.

Crescia o arraial

Anos depois, por ocasião de uma santa missão, iniciou-se, no largo da casa de orações, a construção da igreja de Santo Antônio, localizada na Praça Getúlio Vargas, quando Joaquim Dias Guimarães, instituindo um patrimônio para a nova igreja, doou o terreno, compreendendo o arraial e suas adjacências.

Já existindo uma dezena de casas, e, mais de uma venda de cachaça e gêneros, aumentando a afluência de gente dos arredores, lembrava um estabelecimento de uma feira semanal, em que pudessem comprar os artigos de que necessitava para o consumo na semana. Libertando-se, os moradores da usura do vendeiro e poupando uma viagem à feira de Monte Alto, Caetité ou outra vizinha. Os primeiros bruaqueiros e feirantes reuniam-se à sombra e ao redor de um umbuzeiro, onde hoje é a praça Cel. Cajaíba, por alguns anos. Uma vasta coberta de palha servira ali, de barracão, até que, passando a feira a realizar-se nos dias de segunda-feira.

Muito contribuiu para o desenvolvimento do arraial a adoção do dia de segunda-feira para a realização da feira semanal, porque ensejava maior afluência de gente. Possibilitando assim, a presença daquele que, no sábado, estivera assistindo outra feira, nos lugares vizinhos. Por outro lado, a mercadoria que não fosse vendida nas feiras de Monte Alto e de Caetité, vinha à de Beija-Flor, na segunda-feira e aí era negociada. Os bruaqueiros, por sua vez, no sábado, iam às feiras próximas comprar a mercadoria para vender em Beija-Flor, na segunda-feira.

O condutor de um carregamento, o tropeiro, procedente de zona mais distante, tinha a feira de Beija-Flor como o último lugar a ir para vender a sua mercadoria. A venda, ás vezes, era feita com pouco lucro, o que constituía vantagem para o comprador. Sempre havia comprador para toda e qualquer mercadoria que viesse à feira, dependendo somente do ajuste do preço, nada “enfusava”. A certeza da existência desse fator primordial das feiras em Beija-Flor espalhou-se. Desde então, tornando a feira uma das mais concorridas da zona.

Homens dedicados ao comércio vieram se estabelecer em Beija-Flor, procedentes das vilas e cidades próximas, iniciando-se, em bases sólidas, a atividade comercial do arraial. Naquele tempo, Gentio (Ceraima) e Monte Alto iam cedendo terreno no campo do desenvolvimento que estava sendo conquistado por Beija-Flor.

Desde os primórdios de Beija-Flor, seus habitantes, do mês de julho à vinda das primeiras chuvas, lutavam com a dificuldade de se abastecer de água potável. “Cortado” o rio e já seco os pequenos “caldeirões” da “Caiçara” ou outros ainda mais longe, de propriedades privadas, construiu-se, então, um tanque que foi chamado se “Pote”, no centro de depressão que formava a (lagoa).

Mais tarde, talvez dez ou vinte anos depois, construiu-se uma barragem naquela lagoa, transformando-a em grande reservatório, de que era abastecido, anualmente, pelo rio Gado Bravo ou rio de Belém. Este, localizado através um desvio no lugar chamado “Piranhas”, mas, a água ali depositada em breve se tornava impura e salobra, ocasião em que a cacimba  no álveo do rio era a fonte, onde provinha a água potável de que servia a população. Daí nasceu, para desaboná-lo, o espantalho da sede – falta d’água potável – em Beija-Flor.

Os membros da família Pereira da Costa, por descendência direta ou por afinidade, foram os primeiros incentivadores de Beija-Flor – Guanambi. Eles, os proprietários mais próximos, promoveram o desenvolvimento do povoado. Criando e estimulando assim, a sua feira semanal, não só dela participando, como ainda facilitando meios aos seus “agregados” e vizinhos, para que os mesmos pudessem fazê-lo, emprestando-lhes o carro de boi, o burro e as bruacas para o transporte da sua mercadoria.

Naquele tempo, dentre os radicados em Guanambi, avultava, como a mais importante, a figura de Gustavo Bezerra, que se tornou, simultaneamente, o maior comerciante, fazendeiro e representante político de Bela Flor – Guanambi. Em 1912, ocorreu o lamentável incidente, uma briga entre Gustavo Bezerra e João Marcelino (Joãozinho Coureiro), onde morreram os dois.

Outro elemento radicado dentre aqueles que mais contribuíram para o desenvolvimento de Bela-Flor, foi José Macena – o estimado e sempre lembrado Cel. Zequinha.

O algodão – principal produto agrícola do “baixio”, merecidamente cognominado “ouro branco”, pela elevada importância de sua contribuição no desenvolvimento de Bela Flor, constituiu a base fundamental em que se apóia o edifício econômico de Guanambi – merece aqui, de nossa parte uma ligeira, mas especial referência.

Em Bela-Flor, o comércio do algodão exigia a modernização do sistema adotado no seu beneficiamento. Assim foi que, em 1912, Dr. Mário Teixeira, organizando a sociedade Empresa Industrial Sertaneja, inaugurou a era da força motriz para o beneficiamento do algodão nesta zona, pondo em funcionamento a usina chamada “Empresa”.

Balbino Cajaiba foi o grande interessado pela emancipação do Distrito de Bela Flor, sucedendo a Gustavo Bezerra na condução dos destinos do arraial. Tornou-se indiscutivelmente o seu representante, isto é, o chefe político, independente da orientação de Monte Alto, da qual, algumas vezes, discordou nos pleitos eleitorais. Lutou e venceu.

O município de Guanambi, desmembrado do de Monte Alto e constituído do distrito de Bela Flor, foi criado pela Lei Estadual nº 1.364 em 14 de agosto de 1919. A instalação do novo município ocorreu por entre calorosas manifestações de entusiasmo do seu povo, no dia 1º de janeiro de 1920, quando tomou posse e assumiu as funções de cargo o seu primeiro intendente – Balbino Gabriel de Araújo Cajaiba.

Resumo histórico de Guanambi, baseado no livro “Respingos Históricos” (TEIXEIRINHA, 1991, p. 51-75).

teixeirinha

DOMINGOS ANTONIO TEIXEIRA, (Teixeirinha), nasceu em 21/06/1903, na fazenda Pajeú, distrito de Ceraima (antigo Gentio). Filho de Antonio Othon Teixeira e de Mariana da Silva Teixeira.

Em 1917, iniciou os seus estudos no Instituto L. Luiz Gonzaga, de Caetité. Dedicando-se então, nesta época, à vida de seminarista, o que veio a reforçar o seu já imenso gosto pela leitura e escrita, que mais tarde se tornaram seus fies e inseparáveis companheiros.

Retornando à terra Natal, conheceu Dona Maria Alice Ribeiro Teixeira, com quem se casou e teve nove filhos: Ida, Lino, Idalino, Idal, Ina, Idalicio, Antonio,Terezinha e Idalcino.

Ocupou o cargo de Secretário da Prefeitura do Município de Guanambi e, como exemplar funcionário público, dedicou vários anos de trabalho em benefício da cidade e região.

Foi por três vezes Prefeito desta cidade, vindo a aposentar-se em 1973, como Secretário Municipal, o seu cargo de origem. Faleceu em 30.11.1976 em Guanambi, no seio da sua família e de estimados amigos.

Texto elaborado por José Bonifácio Teixeira

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