A PROVÁVEL PASSAGEM DA COLUNA PRESTES EM CAETITÉ E GENTIO (CERAIMA)

Domingos Antônio Teixeira, em seu livro Respingos Históricos (1991, p.98), descreve a notícia que causou a provável passagem da Coluna Prestes em Caetite, Gentio e região.

Teixeirinha (1991) narra que o ano de 1926 foi um período de intensa chuva em Ceraíma, até o final do mês de abril. Transbordaram os rios. Os córregos tornaram cursos de água permanentes, dificultando, ainda mais, o trânsito pelas estradas lamacentas, em que se sucediam os atoleiros.

Em sua narrativa, Teixeirinha descreve que naquele ano (1926), ainda chovia torrencialmente, quando rapidamente circulou a notícia da aproximação dos revoltosos, estes representados pela Coluna Prestes, os quais já haviam saído de Rio de Contas e tomado o rumo de Caetité. O êxodo da população, nos dias 9 e 10 de abril de 1926, foi quase completo nas cidades e povoados.  As famílias deixaram suas casas e se refugiaram no mato ou em casa de algum parente ou amigo, nos sítios distantes da povoação ou das estradas. Segundo se soube depois, os rebeldes (Coluna Prestes) não passaram nestas localidades, mas sim em Rio do Antônio e Caculé.

A Coluna Prestes, ao chegar à cidade de Caculé, e ocupar o telégrafo receberam uma mensagem do telegrafista de Caetité, o Sr Troiano de Freitas, informando que naquela cidade acabava de chegar um grupo de 200 homens armados, enviados por Dr. Mário Teixeira.

Essa notícia, criada pelo telegrafista de Caetité, tinha a intenção de livrar sua cidade da visita indesejável dos revoltosos, pois, sabia-se que a Coluna Prestes evitava encontro com legalistas (tropas do governo e aliados). Dias depois os “patriotas” de Horácio de Matos, Franklin e Abílio Volney e contingentes da Polícia da Bahia passaram por Ceraíma, requisitando animais nas fazendas e sítios.

Diante deste trecho descrito por Teixeirinha, e de leituras sobre a história da passagem da Coluna Prestes nessa região, chegamos à conclusão que os componentes dessa Coluna mudaram a rota de sua passagem de Caetité e região, passando, portanto, pelas cidades de Rio de Antônio, Caculé e Condeuba.

TRECHOS E IMAGENS SOBRE A COLUNA PRESTES PESQUISADO NO WIKIPÉDIA (2011)

A Coluna Prestes foi um movimento político-militar brasileiro existente entre 1925 e 1927, ligado ao tenentismo. Era contra a República Velha. Lutava pela defesa do voto secreto, do ensino público para toda população. O movimento, composto por capitães e tenentes da classe média, contou com lideranças das mais diversas correntes políticas, A Coluna Prestes se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais. Combateu o governo do então presidente Artur Bernardes, posteriormente, de Washington Luís. Em sua marcha pelo Brasil, os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a miséria da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos e pelos coronéis de várias regiões, inclusive do nordeste.

Sob o comando principal de Miguel Costa e de Luís Carlos Prestes (chefe de estado-maior), a Coluna Prestes enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais de vários estados, além de tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.

A Coluna Prestes percorreu vinte e cinco mil quilômetros pelo interior do Brasil durante dois anos e meio. Apesar dos esforços, não conseguiu a adesão da população. A longa marcha foi concluída em fevereiro de 1927, na Bolívia, perto de nossa fronteira, sem cumprir seu objetivo principal que era disseminar a revolução no Brasil.

Dentre os combatentes contra a Coluna Prestes, a tropa mais audaciosa e organizada foi a do coronel Horácio de Matos, do sertão baiano, chamada de Batalhão Patriótico da Chapada Diamantina. Essa tropa iniciou a perseguição da Coluna Prestes na Bahia, perseguindo-a até a sua saída do território brasileiro, na fronteira com a Bolívia. Horácio de Matos e sua tropa retornam como vitoriosa à cidade de Lençóis, onde foram recebidos com festas pela população. A Coluna Prestes poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, utilizava táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas.

Apesar do fracasso da marcha, a Coluna Prestes ajudou a abalar, ainda mais, o prestígio da República Velha e a preparar a Revolução de 1930. Projetou, também, a figura de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro (PCB), tornando-se um mito. Prestes foi chamado por esta marcha de Cavaleiro da Esperança. (Wikipédia, 2011).

Ao visitar a cidade de Condeuba, neste ano de 2011, tive a oportunidade de ver o marco que a Coluna Prestes deixou registrado naquela cidade, quando da sua passagem em 1926. Está escrito na parede da sala do antigo prédio da prefeitura, onde hoje funciona a biblioteca municipal, a frase “… no meio de uma aglomeração desorganizada um BANDO decidido a tudo penetra a fundo como cunha de ferro em montão de ferragem. (Taine e Ruy – restauradores)”.

 

Próximas edições leiam a publicação do “ABC dos revoltosos”, que narra à passagem dos legalistas da tropa de Horácio de Matos, em Gentio (Ceraima).

Por José Bonifácio Teixeira

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