O dia que Gentio (Ceraíma) e região imaginaram que seriam bombardeados por um avião de guerra Alemão

 Em plena Segunda Guerra Mundial, no ano de 1944, o Brasil já participava ativamente deste combate na Europa. Através do rádio, um dos principais meios de comunicação daquela época, diariamente os repórteres narravam notícias da guerra, criando expectativas de um provável contra-ataque da Alemanha ao Brasil. No qual utilizariam seus famosos aviões bombardeios para investir contra a Costa brasileira. A população vivia em pânico temendo esse terrível ataque.

Eis que numa ensolarada manhã se aproximou da região de Ceraíma um avião bombardeio. Era quase meio dia. O céu estava límpido e claro. Todos os habitantes estavam entregues às suas atividades costumeiras. Quando, repentinamente, surgiu por traz do Morro Grande um terrível ronco de um avião, fazendo um estrondo horroroso. Foi um Deus nos acuda geral. Por todos os lados pessoas desmaiavam, algumas se prostavam em súbitas orações. Outras correram para o mato.

Na escola primária do povoado o medo também tomou conta dos alunos e da professora, que ministrava aula, naquele momento. As mães dos alunos correram a essa escola para buscarem os seus filhos. Saindo em disparada para as suas casas, reunindo em família, para esperarem o trágico acontecimento, que poderia provocar a morte de todos.

Um famoso fazendeiro, da vazante de Ceraíma, estava cavalgando em sua montaria “uma égua de raça” quando avistou o famoso avião. Desceu rapidamente da sua montaria e se escondeu em uma moita logo ao lado. O medo era tamanho que não percebeu os espinhos e garranchos que encravaram em sua roupa. Logo em seguida, o mesmo, depois da passagem do avião, montou novamente em sua montaria, partindo em disparada para o povoado do Gentio “Ceraíma” para se juntar à população apavorada.

Uma senhora da região, de família tradicional, imaginando que todos iriam morrer e que seria a hora do juízo final, chorando, confessou para o marido que o havia traído, revelando o segredo que guardava a sete chaves.

Na região de Morrinhos o reboliço também foi grande, chegando ao ponto de até mulheres grávidas abortarem. Outras, que levavam o almoço para seus maridos e familiares na roça, com o sobrevôo do avião naquela região, saíram correndo, esquecendo e largando as panelas no meio do caminho.

No povoado de Pilões, o medo e o pavor também imperaram nos instantes do sobrevôo do avião. Uma figura que chamou a atenção foi a da beata Miúda, que se deslocou para o meio da rua se ajoelhando com seu rosário, convocando a população a rezar e dizendo que se houvesse um bombardeio na cidade de Beija Flor “Guanambi”, acabaria com toda aquela região. Mulheres, homens e garotos corriam por todo lado. Uns na ilusão de se protegerem do terrível ataque, chegaram a entrar debaixo de mesas e camas.

Após a passagem daquele avião, os mais corajosos que aventuraram a vê-lo começaram a criar versões diversas quanto ao seu tamanho e a sua cor.

Felizmente, para alegria de todos, era um avião aliado americano, que provavelmente se desviou da sua rota, que usava como base de apoio, os aeroportos militares da cidade de Barreiras, na Bahia, ou da cidade de Natal, do estado do Rio Grande do Norte.

Passagem do avião na região da chapada Diamantina, também é narrada pelo escritor José de Azevedo no livro, Rastros de Minha Gente.

Artigo escrito por José Bonifácio Teixeira

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