A GRANDE SECA DE 1976 EM GUANAMBI E REGIÃO

 Inicia-se o ano de 1975. Guanambi e região continuavam o seu crescimento econômico. A lavoura de algodão ia cada vez mais ocupando espaço, proporcionando um retorno financeiro, que era centralizado em Guanambi, a grande sede de toda a região. Em setembro, com a preparação do plantio para a nova safra de algodão, seria novo êxito para os produtores. Começa, então, a alteração nos fatores climáticos em toda a região, não só de Guanambi como do nordeste.

Em 1976, começa uma grande estiagem. A região então ia conhecer uma das suas maiores secas. Há muitos anos a região só convivia com o sucesso do crescimento econômico, com a lavoura do algodão e pecuária. Passou então, a conviver com a diversidade dos fatores climáticos. A lavoura pouco produzia, quase teve perca total. As pastagens aos poucos iam se acabando, os reservatórios de água secando. Começava a faltar água para os animais e até para grande parte da população.

Guanambi e região estavam a beira de um colapso total. Os grandes produtores rurais não tinham recursos para sustentar seu rebanho e aos pequenos produtores faltavam recursos até para a manutenção familiar. Já começava a região a conviver com a seca. Na pecuária, o rebanho bovino começava a morrer por falta de alimentação. Parecia um apocalipse de uma região que há anos vinha convivendo com o desenvolvimento e crescimento econômico.

O então deputado Prisco Viana, líder na Câmara dos Deputados, do presidente Ernesto Geisel, acompanhava atentamente, de Brasília, o grande desastre, provocado pela seca, que começava a acontecer nesta região. Naquele momento crítico, só a intervenção imediata do governo federal evitaria conseqüências maiores.

A seca também atingiu vários municípios do nordeste. O presidente da república e todo o seu ministério estavam em alerta. Foi estabelecido um plano piloto para a implantação de socorro daquelas regiões flageladas pela seca.

Devido à influência do deputado Prisco Viana, Guanambi foi escolhida como sede para a implantação do maior programa de combate a seca no nordeste. No início do mês de setembro, foi organizada uma comitiva do governo federal liderada pelo deputado Prisco Viana, que era composta pelos Ministros do Interior, da Agricultura e da Fazenda. Participaram, também, os presidentes do Departamento Nacional de Obras contra a Seca, da Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco, do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste.

A comitiva deslocou para Guanambi. E, em uma memorável reunião na sede do BNB clube, com a presença dessas autoridades federais, prefeitos municipais de todas as regiões e representantes dos governos estaduais presenciaram um ato de criação de um plano de emergência, de combate a seca, tais como: Frente de serviço de combate a seca para os flagelado, com remuneração; financiamento, através do banco do Nordeste, para a aquisição de rações, para a manutenção do rebanho; máquinas e motores para trituramento de vegetais para rações; linha de financiamento para a remoção de rebanhos dos grandes produtores para outros estados do Brasil como Minas Gerais, Goiás, para aluguel de pastagem durante o período da seca.

Aos pequenos produtores, uma linha de crédito para a manutenção da sua família. Estavam então tomadas todas as medidas necessárias para socorrer Guanambi e região daquele grande flagelo climático. Essas medidas também foram estendidas para todos os municípios da região do nordeste atingido pela seca.

Em 1977, ocorreu uma agradável surpresa para todos os produtores: a aprovação do projeto do deputado Prisco Viana, que anistiava todos os débitos dos produtores rurais, originados do programa de combate a seca, passando a União a assumir esses débitos.

A grande seca de 1976 serviu para despertar os pecuaristas que estavam desacostumados com a convivência desse fator climático. Fazendo assim, que os mesmos usassem novos métodos para complementação da pastagem com a plantação de forragem, palmas, sogo, Também, para adaptar o tamanho do rebanho com a área de pastagem e ampliar fontes de captação de água em suas propriedades.

Escrito por José Bonifácio Teixeira

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